procurei você.
achei você. ainda em campos.
mas marcada aqui dentro de mim pra sempre.
nunca com tanta precisão e delicadeza pictórica alguém descreveu minha impossibilidade de passar despercebida, da qual eu às vezes reclamava.
sabe, amiga, sabe uma girafa? então, então imagina uma girafa na fila do mcdonalds, pedindo big mac. é você! acha que dá pra não notar?
perdão, tereza, perdão.
pela inconsistência do meu amor diante da responsabilidade do seu.
perdão, tereza, perdão pela certeza do montinho conquistado, pela pressa em substituí-la por um namoro novo, perdão.
pelo aniversário, parabéns. desejo de felicidade é até inútil, eu te sei feliz, você é feliz por dentro. para sempre a doce feiticeira sorridente capaz de tirar banquetes de despensas vazias, para sempre a heroína capaz de tocar trabalho, estudo, 3 filhotes pequenos, convivência civilizada com o ex marido, amor desmedido pelo amante filósofo e docura ao receber minhas viagens sem pé nem cabeca com todo o ferramental que jung, rogers, reich, moreno, buda e sei lá quem mais te permitiam, além da paciência extrema que só o amor que me tinhas possibilitava.
tereza, você ajudou-me a galgar alguns degraus na realizacão da ilusão: foi você quem me tranqüilizou, com minha cabeca no seu colo, quando disse, não tema, não se culpe, pois mesmo as mais profundas amizades têm seu ciclo, e um dia descem do clímax e chegam à separacão.
naquele dia, sem saber de nós duas, eu chorei. incrédula, chorei antecipadamente pela possibilidade de perdê-la. e... não só a perdi. eu a entreguei à saudade futura, desdenhando o sofrimento que causaria a você e a mim mesma.
tereza, não a vejo há 20 anos.
mas ainda a amo. e todos os dias em que seus cachos balancam diante dos meus olhos e sua risada enche meus ouvidos de franca alegria, eu lhe peco que me perdoe e que tenha sido feliz. apesar de mim.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
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